
Capaz até de traduzir conteúdo em tempo real, aparelho é parte da investida de fabricantes para fortalecer protagonismo doméstico dos televisores
Sabe aquele meme de um sujeito que dorme, acorda, trabalha, anda de ônibus etem sempre um balãozinho em que ele está com ideia fixa na mesma coisa? Eutenho me sentido assim desde que vi que existe uma
televisão que custa R$100 mil.
Meu encontro com ela aconteceu num evento da Samsung, há algumas semanas –veja bem, eu disse semanas, então realmente tenho pensado bastante a respeito.Pensei em falar sobre ela aqui na coluna, desisti, depois retomei o texto e agora cáestamos.
O modelo em questão é o Neo QLED QN90F, lançado com preço sugeridode R$ 99.900 e que tem 115 polegadas. Essa unidade de medida é meio ingratapara nós, brasileiros, então fui caçar o tamanho em metros. É uma tela com 2,56metros de largura por 1,46 metro de altura. Ou seja, quem for comprar precisa nãosó de bolsos profundos mas de um espaço BEM grande.
Em muitos lugares do Brasil, dá para comprar uma casa com esse valor, eu sei.Mas é a velha regra do mundo do luxo: se tem o produto à venda por um preçoalto, é porque há consumidor capaz de desembolsar a quantia.
No caso dessa televisão, rola uma soma de posicionamento de marca (já que aSamsung é uma das que os brasileiros mais compram) com investimento emtecnologia de ponta. Já conto mais detalhes, mas primeiro a gente precisa decontexto: a inteligência artificial vem sendo usada, não só pela Samsung mas porconcorrentes como LG e Sony, para ressignificar os televisores.

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/planeta-ia/a-televisao-high-tech-com-ia-que-custa-r-100-mil/
A depender da sua idade, talvez você se lembre que eles eram as estrelas do lar.Mas tiveram que dividir o protagonismo conforme o celular mudou hábitos enovas gerações começaram a se interessar por outras modalidades de conteúdo.Então tem rolado uma batalha velada pelo título de tela mais importante da vidacontemporânea, e do mesmo modo que seu chefe pede que você seja multitarefas,o mesmo passou a ser esperado desse eletrodoméstico.
Nesse cenário, não só as televisões cresceram em tamanho como em tecnologia.Essa aí de 100 mil tem uma ferramenta chamada Live Translate, que como o nomeindica facilita a vida de quem não gosta de conteúdo em idiomas estrangeiros. Elatraduz em tempo real o que alguém está dizendo em outra língua. Tipo: se apessoa está assistindo a uma entrevista em inglês, o aparelho já traz a fala emportuguês para você entender sem precisar de legenda. Vai complicar a vida dosdubladores, eu arriscaria.
Upgrade de imagem ruim
A televisão de luxo também conta com AI Picture / AI Upscaling / Active VoiceAmplifier Pro. E eu sei que você leu isso e pensou: “beleza, traduz”. Traduzo, sim.Ou seja, a TV ajusta automaticamente a qualidade da imagem e do som. Se o vídeo
é antigo e em baixa qualidade, ela “melhora” para parecer mais nítido. Se o vizinho
liga uma furadeira, ela aumenta o volume das vozes para você continuar ouvindo
claramente. Tudo acontece sem você mexer no controle. Aliás, você pode ativar
certas funções apenas com o movimento das mãos, sem precisar do controle
remoto.
E faz o que mais, além de exibir conteúdo?
Como eu disse acima, hoje em dia até as televisões têm de ser mais de uma coisa.
Isso inclui fazer delas uma espécie de central movida por IA. Nesse caso aqui, uma
integração com o Copilot, da Microsoft, que transforma o aparelho em um
assistente virtual (igual ao celular que responde quando você pede a previsão do
tempo).
O Copilot aparece dentro da TV para a pessoa pedir recomendações de filmes,
resumos de episódios, informações extras sobre o que está assistindo. É como ter
um Google dentro da TV, só que funcionando de forma bem mais natural.
Agora, se essas novidades justificam o preço de R$ 100 mil creio que seja um
julgamento de cada pessoa. Creio que a maioria dos brasileiros (eu, inclusive) não
dê conta de inserir algo assim no orçamento, mas até aí tem uma infinidade de
produtos que são destinados apenas a alguns nichos.

